A Eterna Recompensa dos Justos - Prefácio Original na Lingua Inglesa

A Eterna Recompensa dos Justos - Prefácio Original na Lingua Inglesa

Por Box95 | Um Clube de Assinaturas Cristão!      27/04/2020 16:02:54    
​O Sr. Richard Baxter, autor de A Eterna Recompensa dos Justos , tão bem conhecido mundo afora por esta e tantas outras excelentes obras, foi um culto, devotado e eminente santo de Deus dos últimos tempos. Ele nasceu próximo a Shrewsbury, em 1615, e morreu em Londres em 1691. Seu ministério, de maneira instável, foi por muitos anos realizado com longo e grande sucesso tanto em Londres quanto em várias partes do país, mas em nenhum lugar se fixou por tanto tempo ou com sua total satisfação quanto em Kidderminster. Sua residência lá foi inclusive interrompida, parte em função de sua má saúde, mas principalmente pelas calamidades de uma guerra civil, que no todo durou dezesseis anos. Não foi de maneira alguma por sua própria decisão, ou em função dos habitantes de Kidderminster, que ele nunca mais ali residiu após sua saída em 1660. Antes de ali chegar, o lugar era tomado por ignorância e iniquidade. No entanto, pela divina bênção sobre sua sábia e fiel semeadura, os frutos da retidão surgiram com rica abundância. A princípio, ele não encontrou mais do que um ou dois únicos exemplos de famílias que oravam diariamente em uma rua inteira. Em sua partida, contudo, não mais do que uma ou duas famílias em algumas ruas continuavam a negligenciar a oração. E, nos dias do Senhor, em vez da profanação aberta, à qual eles já estavam a tanto tempo acostumados, uma pessoa, ao passar por uma cidade em intervalos entre cultos públicos, talvez ouvisse centenas de famílias cantando salmos, lendo as Escrituras e outros bons livros, ou os sermões que haviam transcrito ao ouvi-los dos púlpitos.

Foi realmente notável o seu cuidado pelas vidas a ele confiadas, bem como o bem-sucedido ministério realizado entre elas, pois o número de seus discípulos chegou a seiscentos. Sobre eles, Baxter afirmou que não havia sequer doze em cuja sincera devoção ele não tinha razão para acreditar. Louvado seja Deus, pois o espírito deste santo devoto, que foi alegremente apresentado ainda será encontrado na cidade e vizinhanças até certo ponto (Ah! Quem dera fosse mais!). E uma vez que este espírito permanece entre nós, o nome do Sr. Baxter continua na mais honrável e afetuosa lembrança.

Como escritor, ele tem a aprovação de alguns de seus maiores contemporâneos, que bem lhe conheciam e não eram tentados a serem parciais em seu favor. O Dr. Barrow disse: “Seus textos práticos nunca eram remendados, e os polêmicos raramente combatidos”. Tendo em vista suas obras casuísticas, o honroso Robert Boyle declarou: “Ele foi o homem mais adequado de todos para um casuísta , porque não temia desagradar homens, nem tampouco esperava ser o preferido de alguém”. Bishop Wilkins, a seu respeito, comentou “que ele havia cultivado todos os assuntos com os quais lidara; que se ele tivesse vivido nos tempos primitivos, teria sido um dos Pais da Igreja, e que foi o bastante para a sua era produzir um homem tal qual o Sr. Baxter”. O arcebispo Usher tinha por ele tamanha admiração que, por sua mais sincera iniciativa, decidiu transcrever vários de seus discursos práticos, especialmente sua celebrada obra “Um Chamado aos Não Convertidos” (A Call to the Unconverted).

O Dr. Manton, como ele livremente disse, “pensava que o Sr. Baxter se aproximava mais dos escritos apostólicos do que qualquer homem de sua época”. Além disso, ele o considerava tanto um pregador quanto um escritor, quando em seu funeral disse: “Em seus sermões, havia uma rara união entre argumentos e motivos para convencer a mente e ganhar o coração. Todas as fontes da razão e do convencimento eram abertas aos seus atentos olhos. Não havia como resistir, diante da força de seus discursos, sem negar a razão ou a divina revelação. Ele tinha uma formidável e abundante habilidade na fala. Havia uma nobre negligência em seu estilo, pois sua grande mente não podia se rebaixar à influenciável e comprometida eloquência das palavras. Ele desprezava oratórias chamativas, mas suas expressões eram claras e impactantes: convenciam tanto o entendimento, entravam tanto na alma, envolviam tanto as emoções, que os que não o ouviram só podem ter sido surdos, como cobras não seduzidas por um sábio encantador. Ele era movido pelo Espírito Santo e respirava fogo celestial para inspirar vida e calor à vida de pecadores mortos, e para derreter os obstinados em seus túmulos congelados. Seus livros, por sua grande quantidade e variedade de assuntos (que parecem ter sido mais de cento e vinte), formam uma biblioteca. Eles contêm tesouros de divindade controversa, casuística e prática. Seus livros de divindade prática têm sido responsáveis por mais conversões de pecadores a Deus que qualquer outra publicação da nossa época; e, enquanto a Igreja permanecer nesta terra, serão continuamente eficazes no resgate de almas perdidas. Há um ritmo enérgico em tais obras que mantém o leitor desperto e atento”.

A esses testemunhos, não se deve deixar de somar o depoimento dos editores de suas obras práticas em quatro volumes de manuscritos. No prefácio de cada uma, eles dizem que “talvez não existam obras entre nós, que sejam de tamanha essência cristã, que demonstrem um melhor casamento entre razão e emoção, ou que mais possam reavivar uma religião pura e virtuosa, que tenham sido mais estimadas no exterior ou mais benditas em sua própria casa, por despertar os mornos, instruir os ignorantes, firmar os indecisos, confortar os abatidos, restaurar os profanos, ou promover o crescimento, que sejam verdadeiramente sérias como as obras práticas deste autor”.

Tais foram as percepções de ilustres indivíduos que bem conheciam o Sr. Baxter e suas obras. É, portanto, menos marcante, a menção do Sr. Addison, de uma perspectiva acidental e imperfeita, porém com sua comum simpatia e franqueza: “Uma vez me deparei com uma página do Sr. Baxter. Após tanto me debruçar sobre ela, tive uma impressão tão boa da devoção do autor que comprei o livro todo”.

Deve-se atribuir a distinta reputação do Sr. Baxter como pregador e escritor ao fato de que ele foi escolhido como um dos principais capelães do Rei Carlos II, e que a ele pregou uma vez nessa função, e também ao fato de que ele recebeu uma oferta do Lorde Chanceler Clarendon, da diocese de Hereford, a qual, em uma respeitosa carta ao seu senhor, decidiu recusar.

​A Eterna Recompensa dos Justos é considerada uma das mais valiosas obras de seus trabalhos práticos. Ele a escreveu quando estava longe de casa, sem nenhum livro para consulta exceto sua Bíblia, e em estado tão severo de saúde que esperava a morte por muitos meses. Portanto, para seu próprio benefício, fixou seus pensamentos neste assunto celestial, “o qual” – disse - “Mais me beneficiou, que todos os demais estudos em minha vida”.

A essa altura, o Sr. Baxter devia ter pouco mais de trinta anos de idade. Mais tarde, ele pregou a respeito do assunto em sua palestra semanal, em Kidderminster, e em 1650 publicou a obra. De fato, ao que parece, foi a primeira de todas as suas obras práticas que ele publicou. A respeito desse livro, o Dr. Bates afirmou: “Foi por ele escrito quando estava entre a vida e a morte, porém contém a assinatura de sua santa e avivada mente. Para atrair nossos anseios, ele revela o santuário do Alto e descobre as glórias e alegrias dos bem-aventurados na presença Divina. Ele faz isso por meio de uma luz tão forte e intensa, que todas as cintilantes vaidades deste mundo desaparecem ao serem comparadas, fazendo com que qualquer crente sincero as despreze, assim como um adulto maduro despreza os brinquedos e os interesses de seu tempo de criança. Para despertar nosso temor, o Sr. Baxter abre os nossos olhos e torna o fogo eterno do inferno tão visível, apresenta o ardor doloroso dos condenados com cores tão chocantes que, se devidamente ponderado, controlaria e frearia o desmedido apetite dos pecadores mais carnais”.

                    

Por sua própria natureza, o descanso celestial é um assunto tão importante e interessante e, ao mesmo tempo, tão verdadeiramente envolvente e prazeroso, que explica suficientemente a grande aceitação com que este livro foi recebido, e, de certa forma, também em razão da incomum bênção derramada sobre a forma como o Sr. Baxter tratou do assunto tanto do púlpito quanto pela escrita. Onde são as obras da graça divina mais razoavelmente esperadas, ou onde elas, de fato, são mais frequentemente discernidas do que na cooperação dos melhores meios adaptados? E se, aparentemente, pessoas de discernimento e devoção especiais expressamente atribuíram suas primeiras impressões religiosas a terem ouvido ou lido os importantes sentimentos contidos neste livro, ou, se após muitos anos elas o consideraram uma confirmação ou acréscimo à sua própria vida divina, não seria isso visto como uma considerável recomendação do próprio livro?

Dentre as pessoas que atribuíram sua verdadeira conversão a terem ouvido os sermões de A Eterna Recompensa dos Justos, quando o Sr. Baxter os pregou pela primeira vez, está o mestre e Rev. Thomas Doolittle, que era nativo de Kidderminster e naquele tempo um estudante de cerca de dezessete anos, e que o próprio Sr. Baxter posteriormente enviou para Pembroke Hall, em Cambridge, aonde se formou. Antes de ir para a universidade, ele participou de um julgamento como o escrivão de um advogado e, sob essa tarefa, foi ordenado por seu mestre a escrever algo em um dia do Senhor. Thomas Doolittle obedeceu com grande relutância e, no dia seguinte, voltou para casa com um sério desejo de não mais assumir nenhuma tarefa relacionada ao que faria de sua vida, mas sim servir a Cristo, no ministério do Evangelho. O seu louvor ainda está nas igrejas, por seus piedosos e úteis trabalhos como ministro, tutor e escritor.

Quanto à vida do Rev. John Janeway, um Fellow do King’s College , em Cambridge, que morreu em 1657, sabemos que sua conversão foi, em grande medida, ocasionada por sua leitura de A Eterna Recompensa dos Justos. Ele diz, em uma carta que posteriormente escreveu a um parente próximo, falando com uma referência mais imediata à parte do livro que trata da contemplação celestial: “Há uma tarefa que, se exercitada, dissiparia toda a causa de melancolia; eu me refiro à meditação e contemplação celestial de todas as coisas para as quais o verdadeiro cristianismo se inclina. Se nós apenas andássemos próximos de Deus, por uma hora ao dia, nesta tarefa... Ah! que influência isso teria no restante do dia, e na vida inteira se devidamente realizada! Eu já conhecia, de certa forma, essa tarefa, com sua utilidade, maneira e direções, mas ela me foi melhor esclarecida por meio de A Recompensa Eterna dos Justos, do Sr. Baxter, um livro pelo qual tenho razões para louvar a Deus para sempre”. Vale a pena ser lida esta vida excelente do jovem ministro, nem que seja apenas para ver o quão graciosamente comprometido ele era com a contemplação celestial, conforme os direcionamentos de A Eterna Recompensa dos Justos. O Rev. Joseph Alleine, a exemplo de contemplação celestial, ao final da leitura deste livro, citou o autor com esta solene sentença: “Assim diz tão divinamente o homem de Deus, o santo Sr. Baxter”.

O Dr. Bates, em seu sermão de funeral dedicado ao Sir Henry Ashurst, diz àquele cristão, que foi o mais diferenciado amigo e praticante do Sr. Baxter: “Ele era completamente digno de sua mais alta estima e amor, pois as primeiras percepções do céu sobre sua alma foram em virtude de ter lido o seu valioso livro A Eterna Recompensa dos Justos”.

Na vida do Rev. Matthew Henry, nós temos a seguinte descrição de Robert Warburton, escudeiro de Grange, filho do eminente cristão juiz Warburton, e pai da segunda esposa do Sr. Matthew Henry: “Ele foi um cavalheiro que fazia grande uso de reclusão e privacidade, especialmente na última parte de sua vida. A Bíblia e A Eterna Recompensa dos Justos do Sr. Baxter estavam diariamente na mesa de seu gabinete. Ele passou a maior parte de sua vida em leitura e oração”.

Quanto à vida do muito honrável e cristão, cavaleiro Sir Nathaniel Barnardiston, sabemos que “ele era constante em secreta oração e leitura das Escrituras. Ele posteriormente leu outros autores, mas não muito tempo antes de sua morte teve um prazer singular ao ler A Eterna Recompensa dos Justos do Sr. Baxter, o que foi considerado como um gracioso evento da providência divina, enviado como um guia para trazê-lo mais rapidamente e diretamente para essa recompensa”.

Além de pessoas de eminência, a quem este livro foi precioso e proveitoso, há uma outra ocasião relatada no livro A Token for Children, do Rev. James Janeway, de um pequeno menino cuja devoção foi tão aguçada e promovida ao lê-lo como o livro mais prazeroso, próximo à Bíblia, que os pensamentos de uma recompensa eterna pareciam engolir todos os demais pensamentos, ainda que na ocasião ele tivesse saúde. Tanto que viveu em constante preparo para ela, e mais parecia com alguém pronto para a glória, do que um habitante deste mundo inferior. E quando ele teve a doença pela qual morreu antes dos doze anos de idade, orou: “Peço que eu possa ter o livro do Sr. Baxter; que eu possa ler um pouco mais da eternidade antes que eu nela chegue”.

Não é menos notável que o próprio Sr. Baxter aponta, em um papel encontrado em seu escritório após sua morte, o grande número de pessoas convertidas pela leitura de sua obra Um Chamado aos Não Convertidos (A Call to the Unconverted). Relatos que ele havia recebido por cartas, semanalmente, registrando o seguinte: “Deus abençoou com sucesso inesperado este pequeno livro, A Call to the Unconverted, mais do que todos os outros que escrevi, exceto A Eterna Recompensa dos Justos”. Com uma evidente referência a este livro, o piedoso Sr. Flavel, enquanto o Sr. Baxter era vivo, afetuosamente disse: “O Sr. Baxter está quase no céu, vivendo nas perspectivas diárias em alegre expectativa da eterna recompensa dos justos com Deus. É permitido que ele viva um pouco entre nós, como um grande exemplo da vida com fé”.

O próprio Sr. Baxter disse em seu prefácio de Tratado de Auto-negação (Treatise of Self-Denial): “Eu devo dizer que, dentre todos os livros que escrevi, não estudo nenhum tão regularmente para edificar minha própria alma em sua luta diária quanto o Life of Faith, o Treatise of Self-Denial, e a última parte de A Eterna Recompensa dos Justos. De modo geral, não é à toa que o Dr. Calamy observa a respeito do livro: “Este é um livro pelo qual multidões terão motivo para glorificar a Deus para sempre”.

Este excelente e prático livro está agora na forma de um resumo e, portanto, presume-se ser mais provável que, sob a bênção divina, irá difundir sua influência salutar entre aqueles que não tiveram a oportunidade de ler o volume maior. Ao reduzi-lo para um menor tamanho, eu muito pretendi honrar o autor e, ao mesmo tempo, promover o prazer e proveito do leitor sério. Eu espero que esses objetivos sejam alcançados. Primeiramente, retirei partes de natureza desnecessária, controversa ou metafísica, juntamente com prefácios, dedicatórias e várias alusões a algumas circunstâncias peculiares da última era. Também uni vários capítulos em um só, para que a quantidade de capítulos corresponda com o tamanho do volume. Às vezes, alterei a forma, mas não o sentido de um parágrafo, por uma questão de concisão. Quando havia uma frase obsoleta, troquei-a por uma mais comum e inteligível. Eu jamais teria cogitado realizar este trabalho se não fosse pela sugestão e estímulo de outros, pessoas com nomes altamente respeitáveis, cujo aprendizado, discernimento e devoção eu prefiro não citar ou usar para o meu benefício. Ainda que esta obra pareça imperfeita, o seu trabalho (se é que pode ser chamado assim) foi um dos mais prazerosos de minha vida. Louvado seja Deus.

Certamente, os pensamentos de A Eterna Recompensa dos Justos serão tão prazerosos às almas do presente dia quanto o foram para os das gerações passadas. Tenho certeza de que tais pensamentos são igualmente e totalmente necessários agora, pois as tentações para negligenciá-los não são menores ou mais fracas que antes. O valor da recompensa eterna não é sentido, porque mil trivialidades são preferidas antes dela.

Mas se os raciocínios divinos deste livro fossem devidamente considerados (e, ah, que o Espírito e a graça do Redentor possa fazer com que sejam!), então uma geração de vaidade se tornaria sã. Mentes drenadas pela sensualidade em breve retomariam sua força e razão e exibiriam as qualidades do cristianismo. Os nomes ilusórios do prazer seriam apagados pela gloriosa realidade da alegria celestial sobre a terra. Toda situação econômica e relação social na vida teria a dignidade e propriedade do autêntico cristianismo . Todos os membros da sociedade iriam, enfim, contribuir para a beleza e felicidade de todos, e toda alma estaria pronta para a vida e a morte, para um mundo ou para o outro, em uma bem fundada e alegre convicção segura de ter o direito ao repouso que resta para o povo de Deus.

Benjamin Fawcett
Kidderminster, Inglaterra
25 de dezembro de 1758


1. ​Originalmente, o título é “The Saints’ Everlasting Rest” (O Descanso Eterno dos Santos). Preferimos adotar o título “A Eterna Recompensa dos Justos” por traduzir melhor o significado do descanso celestial para os tempos modernos. O descanso é a recompensa dos santos, aqueles que foram justificados em Cristo. Nesta edição, algumas expressões arcaicas foram alteradas sem, contudo, alterar seu sentido original.
2. Na teologia, o casuísta é o teólogo que se dedica a resolver casos de consciência pelas regras da razão e da religião.
3. Fellow era um título acadêmico outorgado pela instituição.
4. Benjamin Fawcett utiliza originalmente o termo “religião séria” para expressar o autêntico e verdadeiro cristianismo.
                    
 

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