Batizando Nossos Olhos

Batizando Nossos Olhos

Por Box95 | Um Clube de Assinaturas Cristão!      16/01/2020 12:06:25    
“A coisa mais extraordinária do mundo é um homem comum, uma mulher comum e seus filhos comuns”.  
G.K.Chesterton
 
Ninguém quer ser considerado uma pessoa comum. Talvez seja uma das palavras menos amadas nos tempos atuais. As pessoas fogem do casamento comum, uma rotina comum e um trabalho comum. A palavra ordinário tomou um sentido pejorativo e dificilmente é vista com bons olhos em alguns círculos de nossa sociedade. A busca atual e desenfreada é pelo extraordinário, pelo incomum, por algo que me tire, me arranque da minha vidinha e do meu dia a dia simples e ordinário. A Alegria “sextou” e o tédio da segunda-feira são apenas reflexos desse problema. E infelizmente, esse não é um pensamento que invadiu apenas os átrios seculares da sociedade; a igreja também foi afetada por esse vírus. Cristãos perderam a capacidade de ver Deus em suas rotinas, de encontrar significado em seus trabalhos e em suas famílias e de serem felizes com suas vidas.

Essa busca desesperada por experiências sensoriais que deem significado momentâneo para as pessoas e as tirem de seus pequenos mundos – mesmo que apenas por alguns minutos – pode ser considerada uma miopia espiritual, uma “doença” que reduz e distorce a nossa capacidade de ver o mundo e a vida como realmente são, como Deus os criou e designou para serem. Junto do pecado de Eva e do fruto que comeu estava esse pequenino parasita que corrói a visão e o coração, que fez com que instantaneamente aquele jardim parasse de brilhar para eles. A grama já não é verdinha, os frutos perderam o seu sabor e a companhia de Adão já não era tão satisfatória. Deus, o trabalho no jardim dele e a vida com a família que ele deu não era mais suficientes para ser feliz. O pecado da ingratidão fez com que o ordinário deixasse de ser extraordinário. 

Nós precisamos matar esse parasita e deixar as águas de nosso batismo em Cristo limpar em nossos olhos para que possamos resgatar nossa visão. Devemos conseguir olhar para a obra de arte, analisar seus traços e identificar os sinais que apontam para o artista que o criou. O remédio é ter fé em Cristo e passar a olhar e interpretar o mundo como ele faz. Para isso, precisamos da disciplina da santificação, treinamento constante e diário para transformar nos nossos hábitos e nos tornarmos mais parecidos com nosso Senhor.

Felizmente, algumas editoras brasileiras resolveram nos ajudar e começaram recentemente a investir e publicar livros do que podemos chamar de teologia do deslumbramento. Livros que nos ajudam a treinar nosso coração e nossos olhos para termos corações gratos e em enxergarmos melhor, para vermos a beleza onde só havia ingratidão. Notas da xícara maluca, de Natan Wilson, As coisas da terra, de Joe Rigney, Voce é aquilo que ama, de James Smith e agora Liturgia do Ordinário, de Tish Warren. Sou grato a editoras e aí esses autores pelo conteúdo tão valioso.

                    

Que possamos utilizar da ajuda desses irmãos para crescer em sabedoria e é. Que a nossa visão seja clara e o nosso coração grato a Deus pelas pequenas coisas que na verdade – Se olharmos de forma correta – são grandes e importantes. Como diz Nathan Wilson: “O que é o mundo? Que tipo de lugar é este? Do tipo redondo. Do tipo giratório. Do tipo úmido. Do tipo habitado. Tipo que tem flamingos (reais e artificiais). Do tipo em que a água do céu se transforma em cristais esculpidos com beleza simétrica por artistas incapazes de conter-se (no quesito design e quantidade). O tipo de lugar com ácaros minúsculos, de dentes poderosos, destinados a comer minha pele morta ao cair nos carpetes... O tipo com pessoas que matam, pessoas que amam e pessoas que fazem as duas coisas. O mundo é belo, mas terrivelmente esfacelado. Eu amo o mundo como ele é, porque é uma história e não está parado em um lugar. Ele está cheio de conflitos e trevas como toda boa história. A uma história para contar, um mundo de surpresas e questões a explorar, uma personalidade continuamente são dada a ser descoberta e entendida na realidade a nosso redor. E há alguém por trás disso, respostas desconfortáveis para comos, porquês e porquês. Princípio era o verbo, E o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele. Bem-vindo ao poema dele. À peça dele. Ao livro dele. Deixe que as páginas toquem seus dedos”.


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