Para que serve o discipulado?

Para que serve o discipulado?

Por Box95 | Um Clube de Assinaturas Cristão!      08/05/2019 13:32:55    

Quando o assunto é plantação de igreja, não podemos deixar de ressaltar a vocação da Igreja de Cristo em fazer discípulos. O termo discipulado é figurinha repetida nas rodas de conversa sobre uma igreja saudável.

De fato, na modernidade tardia, onde prazer e felicidade são definidores de identidade e de valor, o discipulado tem sido encarado, muitas vezes, como um artigo personalizado e individualista, quando você possuiu alguém que lhe ouça e dê respostas a partir daquilo que se deseja ouvir e viver. Em tempos de personalização dos serviços, resumir discipulado a um personal pastor é diminuir demais um conceito bíblico de tamanha importância na vida comunitária e na missão de fazer discípulos. Arrisco dizer que o discipulado deixou de ser a engrenagem de tudo que se vive como igreja local para ser um departamento terapeuta individual dentro da igreja.

Assim, pergunto: para que serve o discipulado?

Quando já estava chegando na terra de Canaã, Moisés tinha com ele uma geração de um povo nascido e criado no deserto e de no máximo 40 anos de idade. Aquele povo nunca tinha sido escravo e cresceu vendo o agir de Deus em sua jornada no deserto. Moisés se despede deles deixando escrito aquilo que mais importava para o sucesso dos anos que se seguiriam na terra prometida. O livro de Deuteronômio é a repetição da Lei, uma repetição daquilo que merecia atenção. É como se Moisés estivesse dizendo: isso é o que mais importa!

E é nesse legado que encontramos aquilo que considero o texto mais esclarecedor sobre discipulado no Antigo Testamento:

Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas (Deuteronômio 6.4-9).

Discipulado não se trata de coisas pontuais que fazemos no nosso dia, mas da forma como vivemos nossa vida. O amor é aprendido e a maneira como devemos amar a Deus é guardando suas palavras no coração e replicando-as aos nossos filhos enquanto estamos no caminho. Isso significa que o discipulado não pode se resumir a um programa, mas a uma maneira como vivemos intencionalmente a nossa vida, ensinando outros durante o nosso dia a dia. O caminho do discipulado é a engrenagem que faz com que a fé passe de geração em geração, e isso deve ser fruto de uma vida intencional de todos aqueles que amam a Deus.

Se analisarmos, veremos que Jesus repete o versículo cinco do texto quando resume toda a Lei e os profetas em dois mandamentos. O que precisamos aprender é que Jesus não irá falar coisas novas, mas, sim, demonstrar e ensinar aquilo que Deus tem falado desde o princípio.

O movimento de Deus, por meio de Moisés, de discipular o povo até a entrada da terra prometida, nos apresenta quatro importantes finalidades do discipulado, culminando em Deuteronômio 6.4-9, e que serão reforçados por Jesus na grande comissão, e por Paulo em 2Timóteo 3.14-17.

1. Ensinar a respeito de Deus: Não somos capazes de amar aquilo que não conhecemos. Por isso, o próprio Deus se revela a nós e nos chama a ensinar a seu respeito nos dando sua Palavra.

2. Destruir nossos ídolos: Todos nós temos que lidar com a idolatria em algumas áreas da vida. Ídolo é tudo aquilo que ocupa a primazia no seu coração no lugar do Senhor. O maior ídolo deste século é a felicidade. Pessoas buscam a Deus para serem felizes, casam-se para serem felizes, trabalham para serem felizes e fazem qualquer sacrifício para atingirem essa tal “felicidade”. Quando Deus contraria esse suposto “direito de serem felizes”, o que fazem aquelas mesmas pessoas que dizem amar a Deus nos cultos, levantando suas mãos e se declarando em todo o tempo? Elas saem da igreja, culpam a Deus e procuram outro que possa lhes dar os sentimentos de prazer que elas buscam. O caminho do discipulado é sim de encorajamento e consolo, mas também é de confronto.

3. Mudar nossa visão de mundo: todos nós enxergamos a vida a partir da maneira como fomos criados. Isso fica claro pela forma como respondemos às questões existenciais básicas, tais como: Quem criou o mundo? O que é o ser humano? Porque as coisas deram errado? O que é o certo e errado? Qual é o final da história? As respostas a essas perguntas norteariam nossas vidas mesmo que nunca tivéssemos ouvido falar delas. Como Deus nos criou, ele nos fez com propósito, identidade e valor. Isso requer uma mudança de mentalidade, e é o discipulado que faz isso acontecer de maneira gradual nas nossas vidas.

4. Ensinar uma nova realidade de vida: chegar nesse ponto é chegar a uma conclusão dos três pontos anteriores. Ninguém que acredite que não precise mudar precisa de discipulado. Logo, o discipulado é uma maneira de ensinar as pessoas a viverem a nova vida em Cristo sem a escravidão do pecado, no processo de santificação pelo Espírito Santo e para o testemunho fiel do Evangelho.

Soli Deo Gloria

Luis Felipe Pipe

 

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